top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Semaglutida retarda sinais de envelhecimento e aumenta sobrevida em camundongos, aponta estudo

  • há 36 minutos
  • 3 min de leitura
Freepik
Freepik

A semaglutida, princípio ativo utilizado em medicamentos para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, apresentou resultados associados ao envelhecimento saudável em um estudo realizado com camundongos idosos. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, indicou que o medicamento retardou sinais do envelhecimento, melhorou funções musculares e cognitivas e aumentou a sobrevida dos animais. O trabalho foi publicado na revista científica Nature.

Para investigar os efeitos da substância em uma fase avançada da vida, os pesquisadores administraram semaglutida a camundongos fêmeas de 20 meses de idade, considerada uma idade avançada para esses animais. Em comparação com um grupo que não recebeu o medicamento, os roedores tratados apresentaram melhora no desempenho muscular e em funções cognitivas. Análises da expressão gênica também apontaram redução de características relacionadas à senescência, entre elas o aumento da inflamação e a diminuição da capacidade de regeneração.

Em outro experimento, os pesquisadores acompanharam os animais durante o restante da vida. As camundongas que receberam semaglutida apresentaram sobrevida mediana de 834 dias, enquanto o grupo não tratado alcançou 742 dias. A diferença foi de quase 100 dias. Os cientistas também observaram que o atraso na idade da morte ocorreu em diferentes categorias de causas, inclusive em condições que não estavam relacionadas a tumores.

O estudo também buscou descobrir se os efeitos observados poderiam ser explicados simplesmente pela redução da quantidade de alimentos consumidos. Para isso, durante cinco meses, um grupo de camundongos fêmeas de 20 meses recebeu semaglutida, enquanto outro foi submetido a uma dieta com restrição calórica de 24%, correspondente ao padrão alimentar dos animais tratados com o medicamento.

A comparação mostrou resultados semelhantes em várias medidas fisiológicas. Entretanto, as camundongas que receberam semaglutida apresentaram desempenho superior ao nível basal em comportamento exploratório, memória espacial e manutenção da glicemia. Outra diferença apareceu na taxa metabólica: ela diminuiu entre os animais submetidos à restrição calórica, mas permaneceu inalterada entre aqueles tratados com o medicamento.

Para os pesquisadores, essas diferenças levantam a possibilidade de que os medicamentos que ativam o receptor do hormônio GLP-1 produzam efeitos por uma via biológica que não depende exclusivamente da redução da ingestão de alimentos. A possibilidade de que a semaglutida funcione, em parte, como uma espécie de “mimetizador” da restrição calórica é uma das hipóteses que deverão ser investigadas em pesquisas futuras.

O estudo também identificou efeitos relacionados à inflamação, ao envelhecimento celular e à formação de novos neurônios. O médico nutrólogo Guilherme Giorelli, professor e coordenador da pós-graduação de Nutrologia do Einstein Hospital Israelita, afirmou que alguns desses benefícios foram mais intensos quando a restrição calórica foi associada à semaglutida. Segundo ele, porém, os resultados não comprovam uma relação direta entre o medicamento e esses efeitos.

Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que a descoberta ainda não permite afirmar que a semaglutida aumente a longevidade em seres humanos. Paulo Miranda, coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, classificou os resultados como pré-clínicos e destacou que não é possível transferir diretamente para pessoas os efeitos observados em animais. Segundo ele, ainda é necessário determinar quanto dos benefícios decorre da perda de peso e da melhora metabólica e quanto pode estar relacionado diretamente à ação dos medicamentos sobre o receptor GLP-1.

A pesquisa, portanto, abre uma nova frente de investigação sobre o potencial dos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 no processo de envelhecimento. Embora os camundongos tratados tenham apresentado maior sobrevida e melhora em determinadas funções, ainda serão necessários estudos em humanos para verificar se efeitos semelhantes podem ocorrer em pessoas e se a semaglutida poderá, no futuro, ter alguma aplicação relacionada ao envelhecimento saudável.

Comentários


Gazeta de Varginha

bottom of page