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Senado do Paraguai inicia sessão de julgamento de Santiago Peña; pedido de adiamento é rejeitado

há 50 minutos
2 min de leitura

Reprodução X/Santiago Peña
Reprodução X/Santiago Peña
O Senado do Paraguai deu início nesta sexta-feira (6) à sessão que vai definir o destino político do presidente Santiago Peña. A Casa recusou o pedido de prorrogação de 12 para 72 horas solicitado pela defesa, determinando que o presidente compareça ao plenário para apresentar suas razões. O processo segue após a Câmara dos Deputados ter aprovado na noite anterior — por unanimidade — a abertura do julgamento por impeachment. A tentativa de Peña de antecipar a saída com renúncia voluntária travou por falta de quórum na sessão conjunta, após parlamentares da base governista deixarem o recinto.

O cerne da disputa processual está no tempo de preparação. Peña afirmou ter recebido a notificação com a acusação — 15 páginas de texto e mais 300 de anexos — às 22h15 de quinta-feira, com a sessão marcada para as 10h de sexta. "Menos de 12 horas para elaborar defesa é insuficiente e contrário ao Estado democrático de direito", argumentou. Ao lado dos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, publicou em rede social: "Esperamos que o Senado conceda a prorrogação para exercer direitos constitucionais". O presidente da Casa, Basilio Núñez, recebeu a solicitação e a encaminhou — mas o plenário decidiu seguir o cronograma original.

A crise que levou ao julgamento teve início em 3 de novembro, com o fechamento do banco Ueno. A instituição, controlada pelo Grupo Vázquez — do qual Peña foi acionista até março de 2025 —, detinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento pelo Banco Central. A deputada Rocío Vallejo sintetizou a denúncia: "O senhor é a origem desse monstro que criou". Oito diretores foram presos e o presidente do Banco Central renunciou ao cargo.

Enquanto o Senado avança, o país acompanha duas expectativas: a definição política — se Peña permanece ou deixa o cargo — e a resposta econômica para os 3 milhões de clientes que perderam acesso às economias. O presidente promulgou lei que agiliza a devolução dos valores, mas a confiança só será recuperada com a resolução completa do caso. O julgamento não decide apenas o destino de um governante; é também o momento em que o Paraguai vai demonstrar se as instituições conseguem restabelecer a ordem — e a tranquilidade — após o abalo.

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