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Senado do Paraguai rejeita prorrogação de Peña por 39 votos; presidente deve depor em meia hora; renúncia está paralisada no Congresso

há 55 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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O Senado do Paraguai rejeitou por 39 votos o pedido de Santiago Peña para adiar em 72 horas a sessão de julgamento do processo de impeachment contra ele. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (6), e o presidente do Senado, Basilio Núñez, determinou que Peña compareça perante a Casa em até meia hora. O presidente havia solicitado a prorrogação alegando ter recebido a notificação da acusação apenas às 22h15 de quinta-feira — com 15 páginas de denúncia e mais 300 de anexos — e que a sessão marcada para as 10h da manhã seguinte deixava tempo insuficiente para preparar a defesa, em desacordo com princípios do Estado democrático de direito.

A Câmara dos Deputados havia aprovado na noite anterior a remoção de Peña do cargo por unanimidade, abrindo caminho para o julgamento no Senado. O presidente tentou antecipar a saída com renúncia voluntária, mas o processo de homologação travou: parlamentares da base governista deixaram o plenário, gerando falta de quórum e suspendendo a sessão conjunta. Com a renúncia paralisada, o impeachment seguiu seu curso normal — e o Senado deixou claro que não haverá pausa. O argumento de Peña de que menos de 12 horas eram insuficientes não convenceu a maioria dos senadores.

A crise teve início com o fechamento do banco Ueno em 3 de novembro. A instituição, controlada pelo Grupo Vázquez — do qual Peña foi acionista até março de 2025 —, detinha US$ 850 milhões em depósitos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento pelo Banco Central. A deputada Rocío Vallejo resumiu a denúncia: "O senhor é a origem desse monstro que criou". Oito diretores do banco foram presos, e o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo.

Enquanto o destino de Peña se define, o caminho para a sucessão já está aberto. A Câmara rejeitou na quinta-feira o processo de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, com 48 votos pela rejeição e 30 a favor. Com isso, ele está posicionado para assumir a Presidência. Alliana, de 52 anos, tem longa trajetória: foi governador, deputado, presidente da Câmara e líder do Partido Colorado. Agora, com a rejeição do pedido de adiamento, o Paraguai se aproxima do momento decisivo — e a população aguarda não só a definição política, mas a resposta sobre quando e como o dinheiro dos 3 milhões de clientes do Ueno será devolvido.

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