Sete anos após tragédia de Brumadinho, familiares denunciam impunidade e cobram justiça
19 de jan.
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fonte: itatiaia
Sete anos após o rompimento da barragem da Vale na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, familiares das vítimas seguem mobilizados em busca de justiça e responsabilização pelo crime que matou 272 pessoas. A tragédia, considerada um dos maiores desastres socioambientais do país, continua a provocar dor, indignação e a sensação de impunidade.
Mesmo após quase uma década, o episódio permanece como uma ferida aberta para as famílias atingidas, que relatam saudade e revolta diante da ausência de punição criminal aos responsáveis. A data do rompimento, lembrada no próximo domingo, 25 de janeiro, será marcada por uma série de atos, seminários e homenagens organizados por familiares e movimentos sociais ao longo desta semana, em Brumadinho.
A diretora da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (AVAB), Josiane Melo, detalhou a programação das mobilizações, que têm como foco principal a cobrança por justiça e reparação.
“No dia 22, a gente vai fazer um seminário com foco na questão da justiça e da responsabilização. Vamos receber pessoas do direito reconhecidas no Brasil e projetos da UFMG, discutindo responsabilização e reparação”, afirmou.
Segundo Josiane, as atividades seguem nos dias seguintes com ações simbólicas e de protesto. “No dia 23 haverá um concerto na Praça das Joias, no Centro da cidade. No dia 24, fazemos a nossa tradicional carreata, um clamor por justiça. E no dia 25, no mesmo horário do crime, estaremos reunidos para um ato de clamor e homenagem às vítimas”, completou.
Entre os familiares, o sentimento predominante é de revolta. Flávia Coelho, que perdeu o pai, Olavo, no rompimento da barragem, resume a dor das famílias. “A palavra que fica é impunidade”, disse.
Ela reforça que a luta continua para que os responsáveis sejam levados a julgamento e afirma que a expectativa é de que os processos avancem neste ano. “Nesses sete anos, a gente luta para que este seja o ano em que os julgamentos comecem. Existe essa previsão, e a nossa esperança é que ela não seja cancelada”, afirmou.
Flávia destacou ainda que a principal reivindicação dos familiares é a responsabilização criminal dos envolvidos no desastre. “A nossa luta diária é pela punição criminal daqueles que estavam à frente da empresa Vale no ano do rompimento, para que esse crime, de fato, seja encerrado. Ele não pode continuar acontecendo”, concluiu.
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