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Superbactéria congelada há 5 mil anos é resistente a antibióticos modernos, apontam cientistas

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura
Cientistas da Academia Romena identificaram uma superbactéria que permaneceu congelada por aproximadamente cinco mil anos na Caverna de Gelo de Scarișoara, na Romênia. O microrganismo, preservado no gelo por milênios, chamou a atenção da comunidade científica após demonstrar resistência a diversos antibióticos amplamente utilizados na medicina contemporânea.
A cepa bacteriana foi submetida a testes com dez antibióticos de uso comum, incluindo medicamentos empregados no tratamento de tuberculose, colite e infecções do trato urinário. O resultado surpreendeu os pesquisadores: mesmo após cinco milênios isolada no gelo, a bactéria apresentou resistência a todos os antibióticos testados.
De acordo com Cristina Purcarea, autora do estudo, a cepa identificada como Psychrobacter SC65A.3, isolada da Caverna de Gelo de Scarișoara, carrega mais de 100 genes relacionados à resistência antimicrobiana. “A cepa bacteriana Psychrobacter SC65A.3 isolada da Caverna de Gelo de Scarisoara, apesar de sua origem antiga, apresenta resistência a múltiplos antibióticos modernos e carrega mais de 100 genes relacionados à resistência”, afirmou.
Os pesquisadores alertam que o cenário se torna ainda mais preocupante diante das mudanças climáticas. Segundo Purcarea, o derretimento do gelo pode liberar microrganismos preservados por milhares de anos. “Se o derretimento do gelo liberar esses micróbios, esses genes poderão se espalhar para as bactérias modernas, agravando o desafio global da resistência a antibióticos”, acrescentou.
Durante a pesquisa, a equipe buscou compreender como essas bactérias conseguiram sobreviver e se adaptar a ambientes extremamente frios ao longo de milhares de anos. Para isso, foi perfurado um núcleo de gelo com 25 metros de profundidade, correspondente a aproximadamente 13 mil anos de formação, em uma área da caverna.
Os fragmentos extraídos foram cuidadosamente acondicionados em sacos estéreis e mantidos congelados para evitar qualquer tipo de contaminação. Posteriormente, já em laboratório, os cientistas isolaram diferentes cepas bacterianas e realizaram o sequenciamento completo de seus genomas. O objetivo foi identificar os genes responsáveis pela capacidade de sobrevivência em condições extremas de frio e pela resistência antimicrobiana observada.
O estudo reforça as preocupações globais relacionadas à resistência a antibióticos, considerada uma das maiores ameaças à saúde pública mundial, e levanta questionamentos sobre os impactos ambientais que podem surgir com o avanço do aquecimento global.

Gazeta de Varginha

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