Toque de recolher em Paris é mantido e pode ser prorrogado; reforço policial virá para novo protesto no sábado
há 6 horas
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O toque de recolher decretado em áreas de Paris após os distúrbios do fim de semana será mantido nesta terça-feira (20) e poderá ser estendido pelo tempo que as autoridades considerarem necessário, informou a polícia da capital na rede social X. A restrição de circulação vigorará das 23h às 6h, horário local — ou seja, das 18h à 1h de Brasília — abrangendo principalmente os bairros de Place de la République e Les Halles. A decisão ocorre na iminência de novos protestos convocados para o sábado (24), quando forças de segurança serão reforçadas com tropas para garantir o controle das vias e evitar repetição dos confrontos.
O Parlamento da França criou uma comissão de inquérito destinada a apurar as causas e a dinâmica da violência urbana que tomou o país. Paralelamente, foram designados 200 investigadores para identificar, localizar e responsabilizar os envolvidos em atos de destruição, saques e incêndios. Nesta terça-feira, um homem foi preso em Limoges, no centro do país, suspeito de ter provocado o fogo que destruiu um prédio histórico da prefeitura local durante os tumultos. Ele já constava em lista de monitoramento de segurança, o que reacendeu debates sobre inteligência e prevenção de risco.
O deputado Sylvain Maillard, do partido governista Renaissance, levantou uma nova questão ao afirmar que aplicativos de comunicação foram usados como "sistema de rádio para coordenar manifestantes violentos e saqueadores". Os danos econômicos também ganharam dimensão: a rede de supermercados Carrefour comunicou prejuízos na casa de dezenas de milhões de euros, decorrentes de furtos e danos às lojas, classificando a situação como "sem precedentes". Os números reforçam o impacto dos distúrbios sobre o comércio e a rotina da população.
A tensão social segue elevada. O principal sindicato estudantil, Unef, convocou manifestações para o sábado (24), mantendo a crítica ao que chama de sistema educacional em deterioração e subfinanciado. Além disso, grupos ligados ao movimento dos "Coletes Amarelos" retomaram a mobilização contra o aumento dos preços dos combustíveis. O movimento, que surgiu em 2018 contra medidas do governo Macron, esteve inativo nos últimos anos e sua volta representa um desafio adicional às autoridades. O governo enfrenta agora a tarefa de conter a violência sem aprofundar a insatisfação popular, num cenário de pressões econômicas e divisão política.
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