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Trump anuncia US$ 8 bilhões em ajuda a agricultores dos EUA em meio à pressão eleitoral

há 9 horas
4 min de leitura


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (19) um novo pacote de US$ 8 bilhões em pagamentos diretos a agricultores americanos para ajudar a cobrir os custos com combustíveis durante a temporada de colheita de 2026. A medida ocorre a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, nas quais os republicanos tentarão manter o controle do Congresso.

Batizado de Programa de Alívio de Combustível da Colheita, o plano foi apresentado como uma forma de reduzir a pressão financeira sobre os produtores rurais, que enfrentam o aumento das despesas com diesel e fertilizantes, além de incertezas comerciais. O anúncio também representa uma tentativa de reforçar a relação do governo com o setor agrícola, tradicionalmente alinhado ao Partido Republicano.

Somados, os anúncios realizados pelo governo americano apenas em outubro representam mais de US$ 22,5 bilhões em pagamentos e recursos direcionados ao setor. A iniciativa ocorre em um momento de dificuldades financeiras para os produtores, enquanto a dívida agrícola dos Estados Unidos alcançou o recorde de US$ 605 bilhões.

Como funcionará o novo programa de auxílio

O programa será administrado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio de sua estrutura de assistência aos produtores rurais. A previsão é de pagamentos únicos durante a temporada de colheita de 2026, com recursos disponibilizados pela Corporação de Crédito para Commodities, entidade federal que financia iniciativas de apoio à agricultura.

Segundo o governo, os valores serão calculados com base em uma fórmula que considera a área plantada, os custos estimados de produção e as projeções de produtividade e preços agrícolas.

As taxas de pagamento para as commodities contempladas deverão ser divulgadas em novembro. Os critérios aplicáveis a outras culturas elegíveis serão anunciados posteriormente.

O governo informou ainda que não será necessário contratar seguro agrícola para participar do programa.

Ao anunciar a medida ao lado da secretária de Agricultura, Brooke Rollins, Trump apresentou o pacote como uma forma de oferecer apoio financeiro aos produtores durante um período importante do calendário agrícola. Rollins afirmou que a iniciativa busca proporcionar maior previsibilidade aos agricultores durante a colheita.

Pacote se soma a outras medidas anunciadas em outubro

O novo auxílio faz parte de uma sequência de iniciativas adotadas pelo governo americano para reduzir as dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola.

Neste mês, o Departamento de Agricultura confirmou quase US$ 13,8 bilhões em pagamentos brutos relacionados aos programas de Cobertura de Riscos Agrícolas e Cobertura de Perda de Preço. Essas iniciativas oferecem proteção aos produtores diante de oscilações na receita e nos preços das commodities.

O governo também anunciou uma isenção fiscal temporária sobre a compra de diesel por agricultores e pecuaristas, com economia estimada em US$ 640 milhões. Outra medida destinou US$ 86,6 milhões a mais de 600 projetos voltados ao aumento da competitividade de culturas especiais, como frutas, hortaliças e nozes.

Além disso, no início de 2026, o programa Farmer Bridge Assistance destinou US$ 12 bilhões em pagamentos extraordinários a mais de 560 mil agricultores.

Com o novo pacote, a administração Trump amplia o volume de recursos direcionados ao campo em meio à pressão sobre os custos de produção e às preocupações com a renda dos produtores.

Alta do diesel e dos fertilizantes pressiona agricultores

Os agricultores americanos enfrentam uma combinação de despesas elevadas, variações nos preços das commodities e incertezas relacionadas ao comércio internacional. O aumento dos custos com combustíveis tem reduzido as margens financeiras de produtores que dependem de máquinas agrícolas e equipamentos de irrigação.

A alta dos fertilizantes também pesa sobre o setor. Os preços desses insumos foram afetados pelas consequências da guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que provocou mudanças no abastecimento internacional e elevou os custos de produção.

As tensões comerciais e as medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump também geraram incertezas para exportadores americanos, alterando as condições de comércio e ampliando as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais.

Nesse cenário, os pagamentos diretos representam uma tentativa de compensar parte dos custos e das perdas que afetam a atividade agrícola.

Anúncio ocorre em meio à disputa pelo Congresso

O momento escolhido para a divulgação do pacote tem relevância política. As eleições legislativas de meio de mandato serão realizadas em 3 de novembro, quando os eleitores americanos escolherão representantes para o Congresso e decidirão se os republicanos continuarão controlando as duas casas legislativas.

Os agricultores e as comunidades rurais tiveram papel importante na vitória eleitoral de Trump e constituem uma parcela tradicional da base republicana. Entretanto, parte desse eleitorado foi afetada pelas consequências das políticas comerciais do presidente, pela elevação dos custos de produção e pelas dificuldades para manter a rentabilidade das propriedades.

A assistência financeira pode ajudar a aliviar parte dessas pressões, mas também ocorre em um contexto de preocupação do governo com a manutenção do apoio eleitoral no interior do país.

A dívida agrícola americana, que atingiu US$ 605 bilhões, reforça a dimensão dos desafios enfrentados pelo setor. Embora o novo programa tenha sido apresentado como uma medida de apoio aos produtores, seus efeitos dependerão dos valores efetivamente recebidos, dos custos enfrentados por cada atividade e da evolução dos preços dos insumos.

Com o pacote de US$ 8 bilhões, Trump amplia a assistência financeira ao campo às vésperas de uma disputa eleitoral que poderá influenciar os rumos de seu governo nos próximos anos.

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