Violência contra a mulher: Câmara de Bom Repouso vota lei após sequência de feminicídios
gazetadevarginhasi
há 4 horas
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A Câmara Municipal de Bom Repouso (MG) vota, na noite desta última quinta-feira (22), um projeto de lei voltado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, após o município registrar dois feminicídios em um intervalo de apenas dez dias. A proposta recebeu o nome de “Patrícia Vive”, em homenagem a Patrícia César Nogueira, uma das vítimas dos crimes que marcaram o início do ano na cidade.
O projeto institui uma política municipal de conscientização estruturada em cinco diretrizes centrais. Entre elas estão a promoção da conscientização da população sobre a violência contra a mulher e o feminicídio; o incentivo à denúncia e ao rompimento do ciclo de violência; o fortalecimento da rede de apoio e acolhimento de mulheres em situação de risco; o estímulo a ações integradas de prevenção e enfrentamento à violência doméstica; e a preservação da memória de Patrícia como símbolo de luta e proteção à vida das mulheres.
A proposta foi elaborada pela psicanalista Ludmila Mariano e apresentada oficialmente pela vereadora Micheli Silva Alcântara Nascimento (PSB). Atualmente, Micheli é a única mulher entre os nove vereadores que compõem a Câmara Municipal de Bom Repouso.
De acordo com Ludmila Mariano, a iniciativa busca criar condições para que mulheres em situação de violência se sintam seguras e acolhidas ao denunciar agressões, ameaças e perseguições. Ela ressalta que, muitas vezes, a vítima deixa de procurar ajuda por medo do julgamento social, por vergonha ou por se sentir culpada, reflexo de uma cultura ainda marcada pelo machismo e pelo patriarcado. A psicanalista explica que o ciclo da violência é complexo e envolve fatores emocionais, afetivos e financeiros. Segundo ela, muitas mulheres mantêm vínculos com o agressor, sofrem ameaças e chantagens, têm dependência emocional ou financeira e, em alguns casos, enfrentam ameaças relacionadas aos filhos, como a possibilidade de perda da guarda. Esses fatores, segundo Ludmila, tornam o rompimento da relação violenta ainda mais difícil.
Nesse contexto, a proposta do projeto “Patrícia Vive” é oferecer escuta, apoio e um espaço seguro para que as mulheres possam buscar ajuda, fortalecendo os mecanismos de proteção e acolhimento no município.
Os crimes que motivaram a criação da proposta ocorreram neste início de ano. O primeiro feminicídio foi registrado na madrugada do Réveillon, quando Bruna Aline Rodrigues de Souza foi morta dentro de uma residência onde cuidava de crianças, entre elas dois filhos da própria vítima. O principal suspeito do crime é o ex-marido de Bruna, de 21 anos, que fugiu após o ocorrido e segue foragido.
O segundo caso ocorreu na manhã do dia 10 de janeiro e vitimou Patrícia César Nogueira, de 29 anos. Ela trabalhava em uma lavoura de morangos e foi atacada quando se afastou dos colegas durante o intervalo. Patrícia foi baleada com dois tiros na cabeça. O principal suspeito é o ex-namorado da vítima, Dionata da Silva Schmitt, de 30 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. Ele foi preso um dia após o crime, assim como um homem suspeito de tê-lo ajudado a se esconder. Patrícia possuía uma medida protetiva contra o suspeito.
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