Abrasel destaca crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes no Brasil
há 3 dias
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O consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes no Brasil registrou forte crescimento nos últimos anos, mesmo com a proibição da comercialização desses dispositivos no país. Dados da mais recente edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgados na última quarta-feira (25), indicam que o uso de vapes entre jovens praticamente dobrou em cinco anos, enquanto o consumo de álcool e de cigarros tradicionais apresentou redução no mesmo período. Segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de estudantes entre 13 e 17 anos que afirmaram já ter utilizado cigarro eletrônico passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, evidenciando um crescimento expressivo desse tipo de consumo entre adolescentes brasileiros.
O avanço foi registrado em todas as regiões do país, com destaque para o Centro-Oeste, onde o índice saltou de 23,7% para 42%. Também houve aumento significativo no Sul, que passou de 21% para 38,3%, e no Sudeste, de 19,6% para 31%. A pesquisa aponta ainda diferenças no perfil dos usuários, com maior frequência entre meninas (31,7%) do que entre meninos (27,4%), além de maior incidência entre estudantes da rede pública (30,4%) em comparação aos da rede privada (24,9%).
Desde 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém a proibição da fabricação, importação, comercialização e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil. Apesar disso, os produtos seguem amplamente disponíveis no mercado informal, tanto em pontos de venda físicos quanto na internet, o que dificulta a fiscalização e o controle do acesso por menores de idade, além de expor consumidores a itens sem padrão de qualidade ou segurança. Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), os dados evidenciam que a política de proibição não tem sido suficiente para conter o avanço do consumo entre adolescentes. A entidade avalia que a ausência de um marco regulatório também prejudica a definição de padrões mínimos de qualidade, rotulagem e composição dos produtos, além de limitar ações educativas, preventivas e de fiscalização.
O resultado da consulta pública realizada pela Anvisa em 2024 também reforça o debate sobre o tema. Segundo a própria agência, 58,8% das cerca de 14 mil contribuições recebidas se posicionaram contra a manutenção da proibição pura e simples, indicando que a maioria dos participantes defende a regulação como alternativa ao modelo atual.
A Abrasel defende que a falta de regulamentação impede avanços na estruturação do setor e mantém o mercado ilegal em funcionamento. Para a entidade, a adoção de regras claras, aliada a fiscalização efetiva e ações de prevenção, seria o caminho mais adequado para reduzir os impactos do consumo entre jovens e garantir maior proteção à sociedade.
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