Aliado de Assad recebe prisão perpétua em julgamento na Síria
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A Justiça da Síria condenou nesta segunda-feira (24) à prisão perpétua Ahmad Badreddin Hassoun, ex-grande mufti do país e aliado do ex-presidente Bashar al-Assad. Ele foi considerado culpado por incitação à violência, justificativa de assassinatos e abuso de poder.
Hassoun ocupou o cargo de grande mufti entre 2005 e 2021 e era conhecido pela proximidade com Assad. Durante o período em que esteve à frente da instituição religiosa, aparecia frequentemente ao lado do então presidente em cerimônias e eventos religiosos.
O tribunal de Damasco também aplicou outras penas de prisão ao ex-líder religioso. Entre elas estão condenações de 20 anos por incitação a assassinatos e de outras penas relacionadas à participação e ao estímulo de atos de violência, além de acusações de promoção do ódio sectário e racial.
Segundo a Associated Press, a Justiça também considerou que a estrutura religiosa oficial durante o governo de Assad havia justificado o uso de bombas de barril contra áreas civis, prática apontada como uma violação do direito humanitário internacional.
Hassoun foi preso em março de 2025, no aeroporto de Damasco, depois de permanecer escondido. O julgamento teve início em junho deste ano e ele estava presente no tribunal durante a sentença.
A condenação faz parte de uma série de processos movidos pelas novas autoridades sírias contra integrantes do antigo regime. Esta foi a décima sentença anunciada contra uma figura ligada ao governo de Assad e a primeira contra um líder religioso.
Nas últimas semanas, outros integrantes do antigo governo também foram condenados. Bashar al-Assad e seu irmão, Maher al-Assad, receberam sentenças de morte à revelia, assim como outros antigos integrantes do aparato de segurança.
O regime de Bashar al-Assad chegou ao fim em dezembro de 2024, quando o então presidente deixou o país após uma ofensiva de grupos insurgentes. A guerra civil síria havia começado em 2011 e se estendeu por quase 14 anos.
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