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Brasil continua avançando no comércio agrícola, segundo OMC

  • 2 de ago. de 2023
  • 3 min de leitura

Reprodução

A Organização Mundial do Comércio (OMC) acaba de publicar seu relatório ‘World Trade Statistical Review 2023’, no qual apresenta as tendências recentes do comércio internacional. E o que fica claro mais uma vez é que a potência do Brasil no comércio agrícola continua aumentando em meio à discussão global sobre segurança alimentar.
O relatório coincide com o momento de tensões geopolíticas e macroeconômicas e desafios tecnológicos que afetam a economia global e as cadeias de suprimentos, como nota a diretora-geral Ngozi Okonjo-Iweala.
"À medida que uma sucessão de crises abala a economia global, com a pandemia da covid-19 dando lugar à guerra na Ucrânia, à inflação, ao aperto monetário e ao endividamento generalizado, o comércio mundial perdeu força, com o crescimento do comércio desacelerando em 2022 e permanecendo fraco no início de 2023’, escreve ela no prefácio.
O crescimento do comércio global permaneceu positivo, mas vários riscos negativos, desde as tensões geopolíticas até a possível instabilidade financeira, estão obscurecendo as perspectivas de médio prazo tanto para o comércio quanto para a produção geral, alerta a OMC.
O relatório trás dados do comércio de mercadorias e serviços discriminados por origem geográfica, principais grupos de produtos e setores, juntamente com dados relacionados aos principais desenvolvimentos econômicos, como crescimento do PIB, preços de commodities e flutuações da taxa de câmbio.
Em 2022, o comércio mundial de mercadorias em termos de volume aumentou 2,7%, em comparação com 12,4% em termos de valor. Essa taxa mais alta para o valor do comércio se deve, em grande parte, aos aumentos de preços das commodities primárias em consequência das tensões geopolíticas.
Nesse cenário, o Brasil expandiu suas exportações totais de mercadorias, em volume, em 4,7% comparado a 2,3% da média mundial em 2022. Em comparação, as vendas externas de mercadorias brasileiras tinham crescido 2,8% em volume no período 2010-2020 (ante 2,5% na média global) e 3,7% em 2021 (8,4% na média global).

Gigantismo no agro
Sobretudo, o relatório confirma a posição do Brasil como terceiro maior exportador agrícola do mundo. Em termos de valor, sua fatia globalmente continua aumentando. Passou de 2,8% do valor total das exportações mundiais agrícolas em 2000 para 4,1% em 2005, evoluiu para 5,1% em 2021 e fechou em 6,4% no ano passado.
As vendas de produtos agrícolas brasileiros tiveram alta de 33% em valor, a maior em 2022, vindo em seguida a Argentina com 29%.
A União Europeia, maior exportador agrícola mundial, viu sua fatia nas vendas totais em valor diminuir de 39% em 2000 para 34,3% no ano passado. Os EUA, o segundo maior exportador no segmento, diminuíram sua participação de 13% para 10,5% no mesmo período.
Por sua vez, grandes emergentes que subsidiam cada vez mais continuam aumentando sua fatia nas exportações agrícolas mundiais. A China, que tinha fatia de 3% em 2000, agora tem 3,8%. A Indonésia dobrou sua participação nas exportações de 1,4% para 2,7% do total mundial, e a India de 1,1% para 1,7%.
Para 2023, a expectativa é de menor ritmo no crescimento das exportações em geral, com as altas taxas de juros pesando no consumo e nos investimentos. As exportações agrícolas em valor no último trimestre de 2022 cresceram 13%, mas subiram apenas 4% no primeiro trimestre deste ano.
Enquanto isso, o grupo de exportadores agrícolas latino-americanos – Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colombia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Republica Dominicana e Uruguai – voltou a alertar na OMC sobre a urgência de reforma das regras do comércio agrícola mundial.
Os eventos dos últimos anos colocaram a segurança alimentar no centro da agenda da OMC. Para os latinos, essa questão só será resolvida com redução de práticas que distorcem o comércio e com estímulos à produção agrícola a nível mundial, especialmente nos países em desenvolvimento.
O posicionamento tem ainda mais sentido diante da pressão de protecionistas agrícolas emergentes, como India, China e Indonésia, para obterem direito de elevar os subsídios e facilidades para frear importações agrícolas. Essa batalha voltará à agenda da conferencia ministerial da OMC em fevereiro de 2023 em Abu Dhabi.
Fonte: Globo Rural

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Gazeta de Varginha

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