Crescimento em 2025 anima setor de alimentação fora do lar, mas início de 2026 exige cautela
20 de mar.
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De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referentes ao mês de janeiro, o setor de alimentação fora do lar apresentou crescimento de 0,92% na receita acumulada ao longo dos últimos 12 meses, já considerando o desconto da inflação registrada no período. O resultado reforça que bares e restaurantes conseguiram manter, em média, um desempenho positivo durante o ano de 2025, ainda que os melhores resultados tenham sido observados principalmente ao longo do segundo semestre.
Esse cenário de avanço também se reflete no faturamento consolidado do setor, que alcançou o montante de R$ 495 bilhões em 2025, superando os R$ 455 bilhões registrados em 2024, conforme levantamento divulgado pela Abrasel. Mesmo diante desse crescimento expressivo na comparação anual, o momento ainda exige cautela por parte dos empresários. O início de 2026 apresenta sinais de perda de ritmo no mercado de trabalho, além de uma pressão contínua sobre os custos operacionais enfrentados pelos estabelecimentos.
Dados da PNAD apontam que o trimestre encerrado em janeiro registrou uma redução de 107 mil trabalhadores no segmento de alimentação e alojamento, indicando um cenário de retração no emprego dentro da área. No campo da inflação, a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,34% no mês de fevereiro, índice inferior ao IPCA geral, que ficou em 0,70% no mesmo período. Esse comportamento evidencia que muitos empresários seguem adotando estratégias para conter o repasse integral dos custos ao consumidor, mesmo diante de um ambiente ainda pressionado.
Apesar das dificuldades observadas neste início de ano, as perspectivas para o setor permanecem positivas. De acordo com pesquisa realizada pela Abrasel, 69% dos estabelecimentos demonstravam expectativa de faturar mais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, sinalizando confiança em uma retomada mais consistente ao longo dos próximos meses.
Outro fator que contribui para esse cenário de otimismo é o calendário de 2026, que reúne eventos com potencial de estimular o consumo e aquecer a atividade econômica. Entre os destaques estão a realização da Copa do Mundo, prevista para ocorrer entre os meses de junho e julho, além das eleições gerais, que tradicionalmente também impactam o fluxo econômico em diferentes regiões do país.
Na avaliação do presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, mesmo diante dos desafios atuais, o setor começa o ano em um patamar superior ao observado anteriormente, o que representa um indicativo relevante para bares e restaurantes. “Os dados de janeiro mostram que, mesmo em um ambiente ainda pressionado por custos e com impacto sobre as margens, o setor começa 2026 em nível superior ao do ano passado. É um sinal relevante para bares e restaurantes que ainda terão um calendário favorável com feriados, Copa do Mundo e eleições”, afirma.
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