Empreendedorismo familiar dá origem ao primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas
17 de jan.
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Divulgação
“Família que empreende unida permanece unida.” A frase resume a trajetória da produtora Fernanda Godinho de Souza, criadora do Gin Puhuk, considerado o primeiro gin do país elaborado com notas de mel de abelhas nativas sem ferrão.
A história começou de maneira simples, quando os pais de Fernanda, Maria de Fátima Godinho e Ivan Correia de Souza, buscavam apenas um local tranquilo para aproveitar a aposentadoria. O casal se encantou com uma propriedade em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, atraído pela vista das montanhas e pelo contato direto com a natureza.
O projeto inicial, no entanto, tomou outro rumo após um convite do filho Lucas Godinho de Souza para que os pais participassem de um curso de produção de cerveja. “No início do curso, nos perguntaram se pretendíamos abrir uma cervejaria. Respondemos que não, estávamos ali apenas para nos divertir. No caso, beber cerveja”, relembra Maria de Fátima, em tom bem-humorado.
O que era apenas lazer acabou se transformando em negócio. A família montou uma microcervejaria e chegou a regulamentar a produção, mas o empreendimento foi posteriormente desativado. Durante a pandemia de Covid-19, surgiu uma nova ideia. “Resolvi montar uma destilaria com a Fernanda”, recorda Ivan Correia.
Já morando na propriedade dos pais, Fernanda enxergou a oportunidade, buscou qualificação, formou-se como Master Distiller e assumiu a condução do projeto. “Sempre gostei de cerveja, mas também tinha uma paixão por destilados. O gin me chamou a atenção pela relação com os botânicos, com as ervas e pelo contato com a natureza”, explica.
O diferencial
O gin é um destilado de base neutra aromatizado com botânicos, como frutas, ervas, especiarias e raízes, tendo o zimbro como ingrediente obrigatório. No Gin Puhuk, o diferencial está na adição de mel de abelhas nativas sem ferrão, produzido na própria propriedade da família.
Na linha Old Tom Gin, Fernanda utiliza mel da abelha Jataí, conhecida pelo sabor marcante e propriedades medicinais, e também da Uruçu Amarela, considerada a maior produtora entre as espécies sem ferrão. “Temos 11 espécies no nosso meliponário. O mel confere uma doçura natural e uma identidade única ao nosso gin”, destaca a produtora.
O nome da marca também reflete essa ligação com a natureza. Puhuk significa “abelha” na língua da etnia indígena Machacali, originária de Minas Gerais.
Conexão local
O Gin Puhuk faz parte de um arranjo produtivo local com apoio da Emater-MG. A maioria dos botânicos utilizados na destilaria é fornecida por agricultores familiares da região, com exceção do zimbro, que precisa ser importado. “A Emater está sempre presente, promovendo assessoria técnica, feiras e fortalecendo a cadeia produtiva”, afirma Fernanda Souza.
A extensionista da Emater-MG, Adriene Patrícia Lemos, explica que o trabalho da empresa pública vai desde a capacitação até a legalização dos empreendimentos. “Há todo um processo de boas práticas, processamento, documentação e estruturação das agroindústrias. Nosso papel é apoiar para que tudo aconteça dentro da legalidade e da qualidade exigida”, ressalta.
Atualmente, o Gin Puhuk é comercializado em feiras organizadas pela Emater-MG, em bares parceiros de Nova Lima e Belo Horizonte, além da venda direta pela internet.
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