Epamig fortalece pesquisa agropecuária com novos centros tecnológicos em Lavras
30 de jun.
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Divulgação/Crédito: Erasmo Reis/Novas estruturas vão desenvolver pesquisas voltadas à extração de óleo de café, produção de cosméticos naturais e monitoramento agrícola com apoio de inteligência artificial.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) inaugurou, em Lavras, dois novos laboratórios voltados ao desenvolvimento científico e à prestação de serviços tecnológicos para o setor agropecuário. As novas estruturas são o Laboratório de Extração de Óleo do Café (Lab Óleos Café) e o Laboratório de Ecofisiologia Digital, que reforçam as pesquisas voltadas à agregação de valor ao café e ao uso de inteligência artificial na agricultura.
Durante a solenidade de inauguração, que reuniu dirigentes da Epamig, colaboradores e representantes de instituições parceiras, como a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e a Prefeitura de Lavras, a diretora-presidente da empresa, Nilda Soares, destacou que os investimentos fortalecem o compromisso da instituição em gerar conhecimento e soluções aplicadas para o desenvolvimento do setor agropecuário mineiro.
O Lab Óleos Café foi criado para desenvolver e difundir tecnologias voltadas à extração de óleo do café verde, matéria-prima que apresenta elevado potencial bioativo por ser rica em antioxidantes, ácidos graxos e compostos fitoquímicos. Segundo a Epamig, a iniciativa abre novas possibilidades de utilização do café em segmentos como cosméticos, dermocosméticos, produtos farmacêuticos e ingredientes funcionais, criando alternativas para ampliar a renda do produtor rural e incentivar a agroindustrialização.
De acordo com a chefe de Pesquisa da Epamig Sul e coordenadora do laboratório, Vânia Silva, o óleo de café representa uma nova oportunidade para a cafeicultura, permitindo que a produção tradicional seja complementada por atividades voltadas ao desenvolvimento de produtos de maior valor agregado e à abertura de novos mercados consumidores.
As pesquisas desenvolvidas no laboratório envolvem o aprimoramento de métodos de extração do óleo de café verde sem o uso de solventes orgânicos, além da avaliação da extração de óleos provenientes de cafés torrados. Também serão realizados estudos sobre caracterização química dos óleos, clarificação e análise do potencial de aplicação na fabricação de hidratantes, sabonetes, produtos para cuidados capilares e outros cosméticos naturais.
A pesquisadora Meline Oliveira explica que o objetivo é aperfeiçoar tecnologias capazes de preservar os compostos bioativos presentes no café verde durante o processo de extração. Segundo ela, embora o óleo obtido do café torrado possua menor concentração de antioxidantes, ele mantém características como aroma e coloração típicos da bebida, ampliando suas possibilidades de utilização industrial.
Além do café, o laboratório também desenvolverá pesquisas com outras matérias-primas vegetais ricas em compostos bioativos, como uva e cacau. Os estudos incluem ainda o aproveitamento de resíduos agroindustriais oriundos da vitivinicultura, buscando ampliar o uso sustentável de recursos agrícolas e estimular novas aplicações para subprodutos da atividade rural.
O Lab Óleos Café foi implantado por meio do projeto "Desenvolvimento de tecnologias para extração de óleo de café visando à fabricação de produtos de alto valor agregado", financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O projeto recebeu aproximadamente R$ 1,9 milhão em investimentos, enquanto a reforma do galpão que abriga o laboratório consumiu R$ 154.105,48 em recursos próprios da Epamig, sendo concluída em 2025.
A estrutura conta com equipamentos industriais em escala piloto destinados ao processamento, moagem, prensagem, filtragem, separação e purificação de óleos vegetais, permitindo a produção de matéria-prima com qualidade para pesquisas e desenvolvimento de novos produtos.
Já o Laboratório de Ecofisiologia Digital passa a atuar no monitoramento das condições hídricas e fitossanitárias de lavouras, utilizando recursos de inteligência artificial para estimar vigor, produtividade e desenvolvimento de culturas como café, grãos e citros. A nova estrutura amplia a capacidade da Epamig de produzir informações estratégicas para auxiliar produtores e pesquisadores na tomada de decisões e na adoção de práticas mais eficientes no campo.
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