Flávio Bolsonaro é investigado pela PF em inquérito sobre financiamento do filme “Dark Horse”
há 3 horas
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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é formalmente investigado em um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, em julho, a pedido da Polícia Federal (PF).
O inquérito apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados aos recursos utilizados para financiar a produção do filme. A investigação está inserida no contexto do caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Documentos que tiveram o sigilo parcialmente retirado mostram que Flávio Bolsonaro aparece nas investigações como interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas sobre o financiamento de “Dark Horse”. Segundo relatório da PF, o senador participou de negociações relacionadas aos recursos, incluindo cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações.
As investigações apontam que Flávio negociou com Vorcaro um repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção do filme, valor equivalente a cerca de R$ 122,7 milhões na cotação mencionada nos documentos. Desse montante, pelo menos US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 62,9 milhões, teriam sido efetivamente pagos, segundo documentos da investigação.
A Polícia Federal afirma que as mensagens e os encontros identificados durante a apuração formam elementos que justificam a abertura da investigação para esclarecer a origem, a movimentação, a destinação e os beneficiários finais dos valores envolvidos no financiamento.
O relatório também cita a participação de Eduardo Bolsonaro e de seu advogado, Paulo Calixto, na estruturação financeira relacionada às transações. Um fundo sediado nos Estados Unidos, chamado Havengate Development Fund e administrado por Calixto, aparece entre os mecanismos utilizados para o financiamento da produção.
A investigação sobre Flávio ocorre paralelamente a outra frente aberta pela Polícia Federal para apurar suspeitas de uso irregular de recursos públicos relacionados ao filme. Na quinta-feira (10), uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino cumpriu mandados em diferentes estados e investigou possíveis desvios de recursos e utilização de emendas parlamentares.
Entre os alvos dessa operação está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Gama, também ligada à produtora do filme. A PF investiga se recursos públicos destinados a projetos da entidade foram desviados ou utilizados de maneira irregular.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao filme. Nesta sexta-feira (11), durante entrevista em Manaus, o senador defendeu a retirada do sigilo das investigações e afirmou que a transparência permitiria, segundo sua avaliação, confirmar que não houve irregularidades no financiamento da produção.
O inquérito no STF continua em andamento para apurar a origem e o destino dos recursos relacionados ao filme “Dark Horse” e a eventual participação dos envolvidos nas possíveis irregularidades investigadas.
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