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Gilmar Mendes acusa Mendonça de condução ‘político-eleitoral’ em caso envolvendo Moraes

há 44 minutos
3 min de leitura
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou André Mendonça de conduzir de forma “político-eleitoral” o caso que envolve Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, durante a sessão do plenário desta terça-feira (15). A declaração provocou um bate-boca entre os dois ministros durante o julgamento que analisa a validade do relatório da Polícia Federal e a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.

Gilmar afirmou que existe um “inequívoco viés político-eleitoral” na maneira como o assunto foi conduzido nos autos. O ministro citou, entre outros pontos, a escolha de datas relacionadas ao andamento do caso e fez referência ao 7 de Setembro, argumentando que a condução do processo teria envolvido o Supremo em uma disputa eleitoral.

“É evidente, e até as pedras sabem, que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os temas foram conduzidos nos autos”, afirmou Gilmar. Segundo ele, houve uma condução que acabou envolvendo a Corte “em campanha eleitoral de forma indevida”.

Mendonça interrompeu a manifestação do colega e afirmou: “Vossa Excelência está sendo leviano, ministro. Leviano. Leviano.” Gilmar respondeu que Mendonça não tinha a palavra e deveria ouvir sua manifestação com tranquilidade.

Na sequência, o decano voltou a criticar a condução do caso e afirmou que a escolha do 7 de Setembro, além de outros elementos que classificou como simbólicos, reforçaria sua avaliação de que houve motivação político-eleitoral.

“Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso”, declarou Gilmar.

Mendonça reagiu novamente e pediu que o colega não apontasse o dedo para ele. “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite este Tribunal”, afirmou. Gilmar respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito.”

A discussão aconteceu durante um julgamento considerado inédito no STF, no qual os ministros analisam um relatório produzido pela Polícia Federal com informações extraídas de investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento aponta uma interlocução entre Vorcaro e Moraes e menciona contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

O relatório também registra que Vorcaro teria buscado uma intervenção de Moraes em investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025. A partir dos elementos reunidos pela PF, Mendonça determinou diligências e posteriormente levou a discussão ao plenário do Supremo. Os ministros avaliam agora se o material pode ser utilizado para dar continuidade às apurações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, sustentou que o procedimento adotado por Mendonça seria inválido. Entre os argumentos apresentados está a avaliação de que o ministro determinou diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria Polícia Federal. A PGR também defendeu que uma eventual investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte.

Mendonça também passou a ser alvo de questionamentos dentro do próprio Supremo. Moraes pediu a abertura de uma investigação contra o colega por suposto abuso de autoridade e improbidade administrativa, enquanto um relatório de inteligência da PF passou a integrar a disputa entre os ministros. O documento, segundo as informações apresentadas no julgamento, aponta que Mendonça teria direcionado as investigações do Banco Master contra Moraes, mas não possui valor probatório.

O confronto entre Gilmar e Mendonça ocorreu em uma sessão marcada por sucessivas divergências entre ministros sobre a condução do caso. O presidente do STF, Edson Fachin, precisou intervir em outros momentos para organizar os debates e manter o andamento da sessão.

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Gazeta de Varginha

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