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Governo brasileiro classifica tarifaço de "injusto", mas mantém porta aberta para negociações com Washington

  • há 10 minutos
  • 2 min de leitura

Reprodução
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O governo brasileiro reafirmou nesta segunda-feira (31) que não concorda com as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, classificando-as como tratamento "discriminatório e injusto" e incompatível com as regras multilaterais de comércio. A posição foi transmitida em reunião virtual entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer. Apesar das divergências, o Brasil declarou-se "aberto ao diálogo" e novas rodadas de conversas foram acertadas para as próximas semanas.

Segundo nota conjunta divulgada após o encontro, os ministros indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo americano nas investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA não correspondem às práticas efetivamente adotadas pelo Brasil. As conversas marcaram a retomada das negociações sobre o tarifaço, acertada após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido no dia 21 de agosto. Na ocasião, o presidente brasileiro havia classificado as alegações americanas como "infundadas".

Os Estados Unidos aplicaram duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros: uma de 25%, sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais em setores como serviços de pagamento, meio ambiente, propriedade intelectual e biocombustíveis; e outra de 12,5%, com o argumento de insuficiência na fiscalização do trabalho em cadeias produtivas importadas. Somadas, as taxações podem alcançar 37,5% sobre determinados itens exportados ao mercado norte-americano.

Em resposta, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas foram adotadas de forma discriminatória e descumprem compromissos internacionais assumidos pelos Estados Unidos. Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que não é provável que haja reversão imediata das tarifas por via judicial, mas consideram importante registrar a posição do país perante a comunidade internacional.

Do lado dos Estados Unidos, foi manifestada disposição para manter o diálogo, sem antecipar, contudo, se haverá recuo nas taxações. As próximas reuniões deverão contar também com equipes técnicas e poderão ocorrer de forma presencial ou virtual. O governo brasileiro reiterou que continuará buscando um acordo equilibrado e mutuamente vantajoso, pautado pelo respeito à soberania e às regras internacionais.

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Gazeta de Varginha

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