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Hospital da Fhemig realiza primeira aplicação de polilaminina em paciente

  • 1 de jul.
  • 2 min de leitura
“Fortis fortuna adiuvat”: a sorte favorece os corajosos. A frase tatuada nas costas de Geovani Campos Canton, de 28 anos, ganhou um significado especial nesta semana. Poucos dias após sofrer uma grave lesão medular em um acidente de moto, o paciente se tornou o primeiro da Fhemig a receber uma aplicação de polilaminina, substância experimental estudada como potencial aliada na recuperação neurológica após traumas na medula espinhal ou nos nervos da coluna vertebral.
O procedimento foi realizado na última terça-feira (23), no Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB), por equipes da unidade em conjunto com profissionais ligados ao Projeto Polilaminina, desenvolvido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A substância ainda está em fase de pesquisa clínica e integra um protocolo experimental autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso compassivo, destinado a pacientes com condições graves e sem alternativas terapêuticas equivalentes disponíveis.
Geovani sofreu o acidente na sexta-feira (19) à noite, deu entrada no CHB, passou por cirurgia no domingo e, após avaliação dos critérios de elegibilidade, teve a documentação necessária providenciada para que a aplicação ocorresse o mais rápido possível, favorecendo assim o tratamento.
 “Hoje foi um dia histórico. Conseguimos propor a um paciente internado em um hospital 100% SUS a participação no protocolo de uso compassivo da polilaminina. É uma proteína que está sendo estudada pela capacidade de estimular a regeneração nervosa e ampliar as possibilidades de recuperação neurológica e de qualidade de vida”, explica o ortopedista e cirurgião de coluna do CHB, Renato Guimarães.
Como funciona a polilamina
A polilaminina é uma versão otimizada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para o desenvolvimento das células nervosas. Os pesquisadores buscam verificar sua capacidade de reduzir a inflamação na área lesionada e favorecer a reconexão de estruturas, funcionando como uma espécie de “andaime molecular” para orientar o crescimento dos axônios, que atuam como um fio de transmissão do sistema nervoso.
Segundo o neurocirurgião do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, Bruno Cortes, integrante do projeto, os resultados seguem em avaliação científica. “O objetivo é favorecer a regeneração neuronal e criar condições para uma recuperação funcional maior do que a observada naturalmente. Não existe garantia de reversão da lesão, mas buscamos ampliar as perspectivas de ganho neurológico e qualidade de vida”, afirma.
Após a aplicação, o tratamento continua. A substância pode criar condições biológicas favoráveis para a regeneração, mas a fisioterapia é indispensável para estimular as conexões nervosas e o reaprendizado funcional.

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Gazeta de Varginha

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