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Laudo da Polícia Federal aponta alterações neurológicas em exames de Bolsonaro e sugere investigação complementar

  • gazetadevarginhasi
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura
Reprodução
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A Polícia Federal (PF) informou, por meio de um laudo médico divulgado nesta sexta-feira (6 de fevereiro de 2026), que foram identificadas alterações neurológicas em exames realizados no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no Complexo da Papuda, na unidade conhecida como “Papudinha”, em Brasília. Segundo a corporação, essas alterações foram detectadas em avaliação neurológica motivada pelo histórico recente de queda e desequilíbrio ao caminhar observado no ex-mandatário, o que levou os peritos a realizar um exame físico detalhado voltado à função neurológica.

De acordo com o documento pericial, “foram encontradas alterações neurológicas no exame físico e aventadas hipóteses relacionadas com as demais informações coletadas no caso”, conforme trecho citado pela PF no laudo. A corporação apontou que, ao longo do processo de análise, foram consideradas diferentes possíveis explicações para os sinais neurológicos observados, entre elas déficits de micronutrientes, especialmente hipovitaminose do complexo B (incluindo vitamina B12 e ácido fólico), que pode estar associada a uma dieta pouco variada, além de potenciais interações medicamentosas, já que Bolsonaro utiliza diversos fármacos, condição conhecida como polifarmácia, que pode aumentar o risco de efeitos adversos neurológicos.

O histórico de queda que motivou a realização dos exames remonta a um episódio em que o ex-presidente teria tropeçado ou perdido o equilíbrio e se desequilibrado ao deambular, levando os peritos a incluir a avaliação neurológica entre os procedimentos médicos realizados durante a perícia.

No laudo, a PF também mencionou que o uso conjunto de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular pode criar um quadro de risco farmacológico em que possíveis efeitos adversos — como sedação, letargia, tontura, lentificação psicomotora e hipotensão postural — estariam associados ao aumento do risco de quedas e outros sintomas neurológicos.

O documento pericial foi tornado público após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também estabeleceu que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o laudo em um prazo de até cinco dias, podendo solicitar complementações ou esclarecimentos adicionais.

Além das alterações neurológicas, o laudo médico da PF, elaborado em 52 páginas, aponta que o ex-presidente possui sete comorbidades crônicas, incluindo hipertensão arterial, síndrome de apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.

Apesar dessas condições e das alterações neurológicas detectadas, a perícia concluiu que não há, neste momento, necessidade de transferência de Bolsonaro para cuidados em nível hospitalar ou de cessar imediatamente o cumprimento da pena na Papudinha, mantendo a avaliação de que a infraestrutura da unidade e o acompanhamento médico disponível podem dar suporte às necessidades clínicas do ex-presidente, desde que sejam adotadas medidas de acompanhamento e cuidados contínuos conforme recomendado pelos especialistas.

Medidas sugeridas no laudo incluem instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho, utilização de campainhas de emergência ou outros dispositivos de monitoramento, assim como avaliação nutricional, prescrição de dieta adequada às comorbidades, prática regular de atividades físicas compatíveis com o quadro clínico e tratamento fisioterápico contínuo, com foco no fortalecimento muscular e no equilíbrio postural, visando reduzir o risco de futuros episódios de desequilíbrio ou queda.

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Gazeta de Varginha

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