Mais de 4 mil casos de estupro de vulnerável são registrados em um ano em MG
há 6 dias
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Divulgação
MPMG alerta para alta de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Minas Gerais.
O Ministerio Publico de Minas Gerais divulgou um alerta sobre o elevado número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no estado, em alusão ao Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março.
De acordo com levantamento baseado em boletins de ocorrência da Polícia Civil, entre 21 de fevereiro de 2025 e 21 de fevereiro de 2026 foram registradas 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável envolvendo vítimas com menos de 14 anos. A maior parte dos casos (97,27%) foi consumada, e em 235 situações houve gravidez decorrente da violência.
Os dados apontam ainda que mais da metade dos casos (52,8%) envolve agressores pertencentes ao círculo familiar ou de confiança da vítima, o que reforça o cenário de violências praticadas em ambientes que deveriam oferecer proteção. Em outros registros, há indícios de relacionamento entre agressor e vítima.
As ocorrências foram registradas em 611 municípios mineiros, abrangendo 71,6% do estado. A Região Metropolitana de Belo Horizonte concentra a maior parte dos casos, seguida por regiões como Triângulo Mineiro, Sul de Minas e Zona da Mata. Entre os municípios com maior número de registros estão Belo Horizonte, Contagem, Uberaba e Uberlândia.
Segundo o MPMG, os dados foram compartilhados com as Coordenadorias Regionais de Defesa da Criança e do Adolescente, com o objetivo de fortalecer ações de prevenção e combate, além de aprimorar o atendimento às vítimas. Casos que resultaram em gravidez estão sendo analisados individualmente pelas Promotorias de Justiça para garantir a proteção integral das vítimas e identificar possíveis falhas na rede de atendimento.
O órgão também destaca que muitos casos não chegam às autoridades devido à subnotificação, causada por medo, vergonha ou pressão sobre as vítimas, especialmente em contextos familiares.
Diante desse cenário, o Ministério Público reforça a importância da atenção a sinais de alerta, como mudanças de comportamento, isolamento, alterações no rendimento escolar, além de sintomas físicos sem causa aparente.
Em situações de suspeita, a orientação é acionar imediatamente órgãos de proteção, como Conselho Tutelar, Polícia e serviços de saúde. O MPMG alerta ainda para a importância de evitar a revitimização, recomendando que o atendimento seja realizado por profissionais capacitados, por meio de escuta especializada ou depoimento especial.
Como medida preventiva, o Ministério Público defende a ampliação do diálogo em casa e na escola, além da orientação adequada de crianças e adolescentes sobre seus direitos e sobre situações de risco, como forma de fortalecer a proteção e incentivar a denúncia.
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