Mendonça afirma que Polícia Federal terá “carta branca” para investigar o caso Master no STF
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a interlocutores em declarações confirmadas por seu gabinete à CNN Brasil que a Polícia Federal (PF) terá “carta branca” para conduzir as investigações relacionadas ao chamado caso Master, um inquérito que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Mendonça, que se tornou o novo relator do caso no STF após o ministro Dias Toffoli deixar a função — decisão tomada em reunião entre os ministros da Corte — disse considerar o caso “o mais relevante de sua carreira” e afirmou que isso o leva a conduzi-lo com “extrema correção”.
A declaração sobre a autonomia da PF foi interpretada por membros do meio jurídico como uma sinalização de plena liberdade de atuação para a corporação, sobretudo após embates entre a própria Polícia Federal e o agora ex-relator Toffoli. Enquanto Toffoli havia, em decisões anteriores, impedido a análise de materiais apreendidos por peritos da PF, mantendo-os sob custódia de seu gabinete, Mendonça sinaliza uma postura diferente ao indicar suporte institucional e ausência de limitações.
Fontes e relatos de bastidores apontam que o posicionamento também contrasta com críticas de outros integrantes da Corte quanto à atuação da PF, incluindo manifestações de ministros sobre os limites da atuação investigativa quando envolvem autoridades com prerrogativa de foro.
O caso Master teve como marco de investigação a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para apurar suspeitas de concessão de créditos falsos, incluindo a tentativa de compra do Banco de Brasília (BRB) pelo Banco Master. Essas apurações envolveram a prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, e de outras pessoas, bem como a apreensão de equipamentos e materiais que seguiram para análise.
Mendonça assumiu a relatoria após a PF informar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que havia encontrado menções ao nome de Toffoli no telefone de Vorcaro — situação que motivou a saída do então relator do caso.
Poucos dias antes de se comprometer com a autonomia da PF, Mendonça reuniu-se com integrantes da corporação em Brasília para tomar conhecimento das investigações e definir procedimentos para as próximas etapas da apuração, em um encontro que segundo relatos durou cerca de duas horas.
No contexto da relatoria, Mendonça também aguarda o envio de um relatório detalhado da PF sobre a investigação, que deve subsidiar suas primeiras decisões no caso — um passo visto como essencial antes da revisão de ordens anteriores e da definição de novas diretrizes de procedimento.
O avanço da investigação do caso Master e a postura do novo relator ocorrem em um momento de atenção política e judicial no Brasil, dado o impacto e a repercussão envolvendo autoridades, instituições financeiras e os próprios mecanismos de controle e investigação independentes, como a Polícia Federal.
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