Mulher é internada com síndrome grave após uso de caneta emagrecedora sem prescrição em BH
gazetadevarginhasi
22 de jan.
2 min de leitura
fonte: o tempo
Uma mulher de 42 anos está internada no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, após ser diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune rara e potencialmente grave. O quadro teria surgido em dezembro de 2025, depois do uso de uma caneta emagrecedora à base de Tirzepatida, adquirida no Paraguai sem prescrição e acompanhamento médico.
A síndrome de Guillain-Barré atinge o sistema nervoso periférico e pode provocar fraqueza muscular progressiva, perda de equilíbrio e paralisias, além de comprometer funções vitais como a respiração e os batimentos cardíacos. Em casos mais graves, há risco de morte.
Segundo o gastroenterologista Bruno Sander, especialista em tratamento da obesidade, trata-se de uma condição em que o próprio sistema imunológico passa a atacar os nervos. Ele alerta que o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras representa um risco elevado, especialmente quando o medicamento é adquirido no mercado paralelo, sem controle de procedência. De acordo com o médico, ainda não há conhecimento completo sobre os efeitos colaterais desses medicamentos, principalmente a médio e longo prazo.
O especialista destaca que a Tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, exige controle rigoroso de dose e acompanhamento clínico contínuo. No caso da paciente internada em BH, não se descarta, inclusive, a possibilidade de que o produto utilizado não contivesse a substância declarada. Segundo o médico, há relatos de medicamentos adulterados, o que amplia o risco de reações adversas graves e sequelas permanentes.
Outro ponto de preocupação, conforme o especialista, é a banalização do uso dessas canetas, impulsionada por redes sociais e publicidade irregular. Ele alerta que produtos adulterados podem conter substâncias como insulina, capazes de provocar hipoglicemia severa e danos neurológicos irreversíveis. Além disso, o uso inadequado pode causar pancreatite, distúrbios oftalmológicos, problemas cardíacos e perda significativa de massa muscular.
Em novembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação, importação, comercialização, propaganda e uso de alguns medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, por não possuírem registro sanitário no Brasil. A agência informou que a medida foi adotada diante do aumento de vendas e divulgações irregulares desses produtos, especialmente pela internet.
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que a Vigilância Sanitária fiscaliza estabelecimentos que comercializam ou aplicam medicamentos, avaliando procedência, armazenamento, rotulagem e habilitação dos serviços. A PBH destacou que, em caso de irregularidades, podem ser aplicadas penalidades como multas, apreensão de produtos e interdição de estabelecimentos, além de reforçar a importância de denúncias por parte da população.
Comentários