Presos na ‘Operação Rejeito’ são transferidos do sistema federal para presídios de Minas Gerais
- gazetadevarginhasi
- 16 de out. de 2025
- 2 min de leitura

O ex-deputado João Alberto Paixão Lages (MDB), Alan Cavalcante do Nascimento e Helder Adriano de Freitas, detidos na Operação Rejeito, da Polícia Federal (PF), foram transferidos nesta quarta-feira (15) do presídio federal de segurança máxima em Campo Grande (MS) para unidades do sistema penitenciário mineiro.
Segundo apuração:
João Lages foi levado para o Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, que possui uma cela específica para advogados.
Alan Cavalcante, apontado como líder da organização, e Helder Adriano, identificado como diretor operacional, foram transferidos para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Os três chegaram a Minas Gerais em voo comercial, sob escolta policial.
Investigações e esquema criminoso
Durante a investigação, a PF descobriu que João Lages atuava para conseguir licenças ambientais irregulares em áreas de mineração, em conluio com outros integrantes da organização. O grupo teria liberado projetos mediante pagamento de propinas a servidores públicos de órgãos como Iphan, ANM e Semad.
Alan Cavalcante e Helder Adriano eram responsáveis por articular a concessão ilegal de licenças, movimentando valores bilionários por meio de empresas de fachada, pagamentos de propina e concessões irregulares.
Como o caso envolve pessoas com foro privilegiado, o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Detalhes da Operação Rejeito
Deflagrada em 17 de setembro, a operação apurou fraudes em licitações e falsificação de documentos oficiais para beneficiar mineradoras em Belo Horizonte e Região Metropolitana.
Foram expedidos 22 mandados de prisão preventiva, além de buscas em residências de alto padrão, principalmente em Nova Lima, e em um apartamento em Maceió (AL).
A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens do grupo, estimados em até R$ 1,5 bilhão.
Um dos projetos investigados, chamado “Rancho do Boi”, envolvia a suposta falsificação de declaração de dispensa de licenciamento ambiental municipal, emitida em abril de 2023 pela Prefeitura de Belo Horizonte para explorar um terreno próximo ao Parque Estadual da Baleia e à BR-040. A Controladoria Geral da União (CGU) apontou indícios de que o documento foi adulterado.
Envolvimento de servidores públicos
Entre os investigados estão:
Rodrigo Gonçalves Franco, presidente da Feam, acusado de conceder licenças fraudulentas, manipular pareceres técnicos e cobrar propina.
Leandro César Ferreira de Carvalho, ex-gerente regional da ANM em Minas Gerais, que, mesmo afastado, teria fornecido informações privilegiadas à organização.

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