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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 30/12/2025

  • gazetadevarginhasi
  • 30 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo

A filosofia não termina na Grécia


É compreensível que o ensino de filosofia, especialmente em ambientes escolares, privilegie Sócrates, Platão e Aristóteles. Eles estabeleceram as categorias que moldaram o pensamento ocidental: razão, ética, política, lógica e a própria ideia de investigação filosófica. Contudo, transformar esses autores em ponto de chegada — e não de partida — é um equívoco teórico que empobrece a compreensão histórica da filosofia.

A trajetória do pensamento não confirma essa visão congelada. Ao contrário, mostra que as categorias clássicas foram não apenas ampliadas, mas criticamente revisadas e, em muitos casos, superadas. A modernidade introduziu rupturas decisivas: o método cartesiano (que se refere a René Descartes) redefiniu o papel da dúvida; o empirismo problematizou o inatismo platônico; o ceticismo de Hume desmontou a confiança aristotélica na causalidade; e Kant, com sua crítica da razão, ofereceu uma reconfiguração tão profunda que alterou a própria estrutura do debate filosófico.

O século XIX e o XX avançaram ainda mais: a dialética de Hegel substituiu a metafísica estática; a fenomenologia de Husserl e Heidegger deslocou o foco das essências para a experiência; o giro linguístico de Wittgenstein reformulou o que significa “pensar”; e a epistemologia contemporânea — de Popper a Kuhn — pôs fim à visão grega de ciência como simples observação ordenada do real.

Nada disso diminui os filósofos clássicos. Pelo contrário: sua grandeza está justamente em terem aberto problemas que séculos posteriores aprofundaram com novos métodos, novas ontologias e novos modos de interpretar o mundo. Reduzir a filosofia ao seu momento inaugural é desconhecer sua natureza evolutiva.

A Grécia nos deu a fundação. Mas a construção — vasta, complexa e ainda inacabada — é obra de muitos outros. E é somente reconhecendo essa continuidade crítica que se faz justiça tanto aos antigos quanto aos modernos.
Não devemos seguir com credulidade apenas as regras dos homens – questione – pois, a verdade só será conhecida quando estivermos diante dela literalmente; até lá, estaremos apenas conjecturando. Vamos aprender mais!

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