Oposição afirma que há “operação abafa” para impedir instalação de CPMI do Banco Master no Congresso
gazetadevarginhasi
há 3 dias
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Parlamentares da oposição no Congresso Nacional interpretam como uma possível “operação abafa” as articulações em andamento para evitar que a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master saia do papel, segundo relatos publicados nesta quarta-feira (4). Essa avaliação ocorre em meio às negociações envolvendo a derrubada de veto presidencial relacionada ao PL da Dosimetria.
A oposição sustenta que a derrubada do veto ao projeto que reduz penas de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados por tentativa de golpe de Estado poderia ser utilizada como moeda de troca no Congresso para enterrar a instalação da comissão parlamentar que investigaria supostas fraudes financeiras celebradas no banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Na terça-feira (3), um requerimento solicitando a CPMI com foco no Banco Master foi protocolado no Congresso com 281 assinaturas de deputados e senadores, lideradas pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), segundo parlamentares envolvidos na iniciativa.
Apesar disso, a efetiva instalação da CPMI mista depende da convocação da primeira sessão conjunta do Congresso em 2026, um ato que cabe ao presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e que até o momento não tem data definida, segundo aliados do presidente do Senado. Entre congressistas circula a avaliação de que Alcolumbre poderia adiar ao máximo a sessão em que tanto o requerimento da CPMI quanto a votação do veto presidencial — este do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria — seriam lidos e deliberados.
No contexto das negociações, parlamentares oposicionistas consideram que um eventual acordo para sacramentar a derrubada do veto de Lula — que beneficiaria Bolsonaro e outros condenados no processo do plano de golpe — poderia, na prática, servir para “engavetar” a CPMI do Banco Master no Congresso.
De acordo com integrantes da oposição, alcançado o número de assinaturas de um terço dos membros de cada uma das Casas — o equivalente a, no mínimo, 171 deputados e 27 senadores — a CPMI deveria ser instalada em tese, desde que haja definição de fato determinado e prazo certo para os trabalhos.
Nesse sentido, aliados da oposição argumentam que, embora seja possível adiar a leitura do requerimento em plenário, a comissão não poderia ser bloqueada indefinidamente, citando precedentes como o da CPMI do INSS, instalada em junho de 2025 após adiamento inicial da leitura do pedido sob pressão da oposição.
O deputado Carlos Jordy afirmou ainda que parlamentares governistas estariam encenando apoio à comissão ao assinarem o pedido de CPMI para investigar as supostas fraudes financeiras no Banco Master, iniciativa originalmente proposta pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
Por sua vez, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que respeitará a fila de pedidos de CPI, uma vez que cerca de 15 requerimentos aguardam leitura, o que, na avaliação de parlamentares da oposição, “na prática inviabiliza” a instalação de uma comissão específica para o caso Master.
Parlamentares governistas também sinalizaram apoio ao pedido de CPMI liderado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ). Já o deputado Lindbergh Faria (PT-RJ) rejeitou qualquer hipótese de endossar a proposta da oposição, alegando que haveria risco de politização da investigação.
O requerimento de CPMI do Banco Master surge em meio a forte repercussão política desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, para apurar fraudes financeiras e uma tentativa de venda do banco para o BRB (Banco de Brasília). Na mesma data da operação, o Banco Central (BC) decretou a liquidação da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso e hoje responde por medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.