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PF encontra fuzis, silenciadores e bunkers em área de garimpo ilegal do Comando Vermelho em Mato Grosso

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Reprodução
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Uma investigação da Polícia Federal revelou a existência de uma estrutura armada montada pelo Comando Vermelho em uma área de garimpo ilegal instalada dentro da Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. Durante as operações realizadas na região, agentes encontraram fuzis, silenciadores, munições, explosivos e bunkers utilizados para esconder armas e dar suporte às atividades criminosas ligadas à extração ilegal de ouro.

Segundo a investigação, a facção inicialmente passou a atuar na região oferecendo proteção armada aos garimpeiros ilegais. Com o passar do tempo, porém, o grupo ampliou sua influência e assumiu o controle direto de parte da atividade de mineração clandestina, transformando o ouro extraído em fonte de financiamento para outras operações criminosas.

As autoridades identificaram que o ouro retirado ilegalmente da área era utilizado inclusive como moeda de troca em negociações com organizações criminosas de países vizinhos, sendo convertido em armas e drogas que posteriormente abasteciam o mercado ilegal brasileiro. De acordo com a Polícia Federal, a ligação entre garimpo, tráfico de drogas e comércio clandestino de armamentos tornou-se um dos principais focos da investigação.

Durante a ofensiva das forças federais, os agentes localizaram túneis escavados pelos criminosos para ocultar armamentos e munições, além de estruturas fortificadas usadas como bunkers e pontos de apoio para integrantes da facção. Vídeos obtidos pelos investigadores mostram criminosos fortemente armados escoltando máquinas e abrindo caminhos para ampliar as frentes de exploração do ouro dentro do território indígena.

As imagens reunidas pela investigação mostram ainda homens portando armamento de grosso calibre em áreas de garimpo, algo que, segundo a Polícia Federal, passou a ser registrado com frequência após a chegada dos integrantes da facção ao local.

A operação federal contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé ocorre há cerca de três meses e já resultou na prisão de mais de 70 pessoas suspeitas de participação no esquema criminoso. Além disso, foram apreendidos 153 quilos de ouro e mais de 42 mil litros de óleo diesel utilizados nas atividades de mineração clandestina.

As equipes também destruíram 33 túneis utilizados pelos criminosos, inutilizaram aproximadamente 200 acampamentos e apreenderam mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação. Quase quatro toneladas de explosivos foram encontradas durante as ações realizadas pelas forças de segurança.

Segundo o coordenador da operação de desintrusão, a estratégia das autoridades é impedir o retorno dos garimpeiros ilegais por meio da destruição completa da infraestrutura criada para sustentar a exploração da área, incluindo máquinas pesadas, equipamentos e estruturas utilizadas pelo grupo criminoso.

A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara e ocupa cerca de 67 mil hectares em Mato Grosso. De acordo com a Polícia Federal, mais de duas mil pessoas chegaram a atuar no garimpo ilegal dentro do território, onde chegou a ser criada uma espécie de "vila" com comércio, bares e outros serviços para atender os trabalhadores da mineração clandestina.

Além do avanço do crime organizado, as autoridades alertam para os impactos ambientais provocados pela atividade ilegal. A escavação alterou áreas próximas ao lençol freático e provocou danos ao Rio Sararé, enquanto o uso de substâncias como mercúrio e cianeto representa riscos ambientais que podem perdurar por décadas ou até séculos.

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Gazeta de Varginha

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