Professores elogiam ação da PM, mas medo de ataques permanece em MG
20 de abr. de 2023
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Foto: Flávio Tavares / O Tempo
A ação da Polícia Militar que reforçou o efetivo no entorno das escolas de Minas Gerais foi considerada positiva por professores e especialistas em educação. A categoria, no entanto, acredita que essa não deve ser a única alternativa diante do sentimento de insegurança provocado pela onda de ameaças de ataques em instituições de ensino pelo país. "A polícia, se sozinha, tem efeito como o de um remédio no tratamento de uma doença. Se você não adota outros cuidados, não adianta", alerta o professor Paulo Leite, superintendente e porta-voz do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG).
Diante do medo de pais e responsáveis para enviar seus filhos para as instituições de ensino nesta quinta-feira (20), a Polícia Miltiar realizou uma operação com o objetivo de garantir a segurança nas unidades após uma nova denúncia de atentados. Os policiais que estavam de folga foram convocados, e aqueles que atuam em setores administrativos tiveram que ser deslocados para os trabalhos. O modelo implementado é semelhante ao que é adotado nas Eleições.
"É uma ação entendo como positiva. A polícia se mostra disponível e não ignora esse debate. Desde os primeiros casos deste ano, que ocorreram em outros estados, os policiais de Minas Gerais se envolveram com debate desse tema, é algo que trás mais segurança no nosso dia a dia", avalia Leite. O porta-voz do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) cobre, porém, investimentos em setores de inteligência, com o objetivo de garantir a prevenção por meio do monitoramento de redes sociais. "É preciso ter essa preocupação. Nós, das escolas particulares, até orientamos os professores sobre a necessidade do acompanhamento dessa questão, ainda que de forma interna", destaca.
Essa cobrança é reforçada pela professora e coordenadora do Sindicato de Trabalhadores da Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise Romano. "É algo muito mais profundo que o reforço do policiamento", alerta. Denise acredita ser necessária uma mobilização da comunidade escolar, com políticas educacionais, que possam servir para enfrentar o discurso de ódio que, segundo ela, sustenta esses episódios de violência. "A escola se tornou alvo por conta disso, porque a nossa profissão, de educadores, foi atacada em sua essência.
Então, ter policiamento é importante, mas ele ataca só o resultado e não a origem", avalia.
Para Fábio Militão, que é professor em uma escola da rede estadual, mais do que reforçar o policiamento, o governo precisa investir na formação das crianças e dos adolescentes por meio de uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, assistentes sociais, entre outros. O professor entende que a presença destes profissionais nas escolas é fundamental para evitar episódios de violência, entre outros tipos de conflito. "Eu acho que esse amparo interno na escola teria um resultado muito melhor que o policiamento. Não é função do policial garantir a segurança só da escola, mas da sociedade", afirma.
Nesta quinta-feira, dia 20 de abril, a polícia realizou uma operação de Patrulhamento Escolar no entorno de unidades de ensino das redes pública e privada de todo o Estado. A ação ocorre por causa do sentimento de medo dos pais e responsáveis quanto às ameaças de ataques às escolas. Isso porque a data (20 de Abril) remete ao Massacre de Columbine, ocorrido em 1999, quando 15 pessoas morreram em uma escola dos Estados Unidos, e também aniversário do ditador Adolf Hitler, líder do nazismo alemão.
Ações são complexas, mas problema precisa ser enfrentado
"É complexo tomar um posicionamento diante de tudo o que estamos vivendo. Só que não dá para arriscar, assumir uma responsabilidade como se tudo estivesse normal". A avaliação é da psicóloga e especialista em direitos das crianças e adolescentes Andreia Barreto. Ela classifica como necessária a ação da Polícia Militar, mas endossa o discurso dos professores, que cobram por mais ações, principalmente as educativas."A tomada de decisão precisa ser sempre pensada de acordo com aquilo que vai causar menos impacto para a comunidade escolar, mas elas precisam ser tomadas. É fato que as escolas não têm conseguido manter um ambiente tranquilo e de aprendizagem desde os últimos acontecimentos, mas a gente precisa enfrentar esses problemas", conclui.
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